A apresentar mensagens correspondentes à consulta José Alfredo Almeida ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta José Alfredo Almeida ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de março de 2010

Viagem Inesquecível a Chaves dos Bombeiros Voluntários da Régua

Em 1966, o Comandante França de Sousa, dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, escreveu uma carta aos Bombeiros Voluntários da Régua, que publicámos neste blogue, por gentileza do Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Régua, José Alfredo Almeida.
Voltamos hoje a publicar um interessante texto de José Alfredo Almeida,  que amávelmente nos enviou,  sobre uma viagem de comboio, que os Bombeiros da Régua fizeram há 85 anos.


Viagem Inesquecível a Chaves 
    Esta viagem de comboio, na linha do Corgo, foi há mais de 85 anos…!
     
    Poderia ter sido mais uma, igual a muitas outras, que se fizeram nessa magnifica linha de caminho-de-ferro, mas esta deve ter sido bem diferente. Se bem que não se conheçam os motivos que terão levado os bombeiros da Régua, acompanhados de uma grande comitiva, de irem a Chaves, essa viagem não ficou esquecida no tempo.  
    Alguém se lembrou de registar os pormenores mais significativos dessa “Excursão à vila de Chaves, promovida pelos bombeiros voluntários da Régua, no dia 19 de Julho de 1925”. Com a intenção de informar a posteridade, ainda escreveu aquela única mensagem numa folha, onde arquivou as melhores cinco fotografias, inesquecíveis tanto para eles como para nós, agora. 
    Não sabemos com que finalidade os bombeiros da Régua promoveram esta excursão a Chaves. Agradecemos que alguém nos ajude, se para tanto dispuser de elementos capazes. Terá sido uma vigem de lazer? Uma viagem de cortesia à associação flaviense congénere? Quem eram as pessoas que os receberam na estação? Que foram festejar? Um aniversário dos bombeiros de Chaves? Uma inauguração de novo quartel ou de outro melhoramento? Parece haver um segundo estandarte para além do dos Bombeiros da Régua, mas será dos Bombeiros de Chaves? A locomotiva (uma Ensechel E 224) parece estar decorada com elementos alusivos aos bombeiros. Se assim é, poderemos imaginar que tenha sido uma viagem especial, com programa fora do normal. 
    Uma certeza, talvez mesmo a única: os bombeiros da Régua foram recebidos com toda a pompa e entusiasmo pela população de Chaves. Com o respeito que se impunha, de estandarte bem erguido, os nossos bombeiros desfilaram garbosamente pelas ruas principais, exibindo à frente homens bem conhecidos, como Lourenço Medeiros, mais tarde comandante, e o destemido patrão Álvaro Rodrigues da Silva.  
    Há  viagens de comboio que valem a pena.  
    Uma delas, se ainda fosse possível, seria a da Linha do Corgo. Quem a fez no tempo dos comboios a vapor, dos velhos “Texas”, como eram carinhosamente conhecidos, teve a última oportunidade de apreciar o percurso de uma das mais bonitas linhas de caminho-de-ferro do nosso país. O traçado entre Vila Real e Chaves encerrou em 1990, o troço entre Régua e Vila Real encontra-se encerrado, por tempo indefinido, desde 2009, para obras de melhoramento.  
    Os que adquiriram bilhete na estação da Régua para a viagem de 19 de Julho de 1925 fizeram, com certeza, uma viagem inesquecível.
(...)
Para ler o texto integral, de José Alfredo Almeida, pressionar  aqui


*Fotos gentilmente cedidas por José Alfredo Almeida

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Visita dos Bombeiros Lisbonenses à Régua

Com a prestimosa colaboração de José Alfredo Almeida, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Peso da Régua, publicamos hoje, um interessante texto e imagens que simpáticamente nos enviou:


Passagem pela Régua

Em 11 de Junho de 1961, a convite de diversos colegas da Régua, o bombeiro nº 8  José Dias da Costa Ferreira, dos Bombeiros Lisbonenses,  esteve de visita  à  "maravilhosa corporação" do Peso da Régua.

Como fizeram  outros  ilustres visitantes,  assinou uma das páginas  do primeiro  "Livro de Visitantes da Real Associação dos Bombeiros do Peso da Régua".  Do que viu,  gostou   e para assinalar  sua passagem pela Régua,  escreveu para todos Bombeiros da Régua um  comovente  elogio: " fiquei sensibilizado como encontrei esta obra tão boa" - como se pode ler na cópia que aqui se reproduz. 


Passado muito tempo da visita do bombeiro Lisbonense, quem se sente  deveras sensibilizados e orgulhosos sãos  os actuais  Corpos Sociais, elementos do Quadro de Comando  e o  seu Corpo de  Bombeiros.

O nosso obrigado aos actuais   B V. Lisbonenses,  com uma saudação muito fraterna dos BV do Peso da Régua, esperando que no  futuro  as duas associações possam continuar a   manter esta  saudável cooperação de fraternidade.




Regua, 22 de Janeiro de 2011
José Alfredo Almeida
Presidente da Direcção
Alistou-se em 1954, como aspirante.
Percorreu toda a hierarquia do Corpo de Bombeiros, tendo paralelamente sido nomeado auxiliar do secretário do Comando (1952), bem como, mais tarde, secretário.
Em 9 de maio de 1974, foi nomeado ajudante de comando.
Em 23 de Outubro de 1974 tomou posse do cargo de 2º Comandante.
Em 5 de Junho de 1985 transitou para o  então Quadro Honorário. Por deliberação da Direcção passou à categoria imediata de comandante.
Em 9 de Dezembro de 1989, assumiu, por deliberação conjunta da Direcção e do Comando, as funções de assessor do Comando.
Monitor e director de escolas de formação.
Comandante interino em diferentes períodos.

Autor conjuntamente com o Comandante do QH, França de Sousa e Comandante do QH, Lucas Novo do Livro do Centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses

Créditos:
-Texto e imagens do Livro de honra da Real A.B.da Régua enviado por José Alfredo Almeida
-Biografia do Cmd do QH José Dias da Costa Ferreira e foto retirado do Livro do Centenário da AHBVL

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Carta para os Bombeiros Voluntários da Régua

O presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários da Régua,  José Alfredo Almeida, amávelmente fez-nos chegar  um texto de uma carta, que o Comandante  França de Sousa dos B.V.Lisbonenses dirigiu aos Bombeiros Voluntários da Régua,  publicada no jornal "Vida por Vida".em  Janeiro de 1966.


 José Alfredo Almeida  fez o favor de nos enviar o seguinte texto:


Ao vasculharmos os arquivos da nossa Associação não nos passou despercebida uma carta enviada pelo Comandante Tenente José Francisco França de Sousa, dos Bombeiros Voluntários Lisboneses, em 1966, ao director do jornal “Vida por Vida”, órgão oficial da AHBV do Peso da Régua.
Como, quando lhe chegou às mãos, essa carta não passou também despercebida ao Dr. Camilo de Araújo Correia, a quem fora amavelmente dirigida, que lhe reconheceu valor e interesse histórico para a divulgar nas colunas da primeira página do jornal. 
Na edição de Janeiro de 1966, com o sugestivo título “Bombeiros Voluntários Lisbonenses” é feita a transcrição integral dessa carta. E, numa pequena nota introdutória, muito pessoal e ao seu jeito e estilo, o director - ilustre médico e escritora infelizmente já falecido - lembrou que, pela satisfação que a tinha recebido, não resistia a tentação – assim mesmo – de a publicar.  
Os bombeiros da Régua são pioneiros a estabelecer relações institucionais com as associações congéneres. Faz parte dos genes da sua fundação. Entenderam desde os seus primórdios, que se tornava necessário conhecer o que se fazia de mais avançado nas associações mais preparadas e capazes e para conhecerem as novidades no combate aos fogos e no socorro às populações.
O jornal dos bombeiros da Régua, fundado em 1957, serviu de ligação a todos os bombeiros espalhados pelo país. Serviu para mostrar o exemplo que uma geração de homens lutava com paixão para manter, com a ajuda de beneméritos – os primeiros mecenas - vivo o associativismo e corpos de bombeiros mais preparados para as exigências do socorro às suas populações. 
Se, no passado recente, existiram contactos dos Bombeiros da Régua com os Bombeiros Voluntários Lisbonenses, o mais certo é terem acontecido em encontros entre os seus directores e seus comandantes. Leva a crer que os comandantes se terão conhecido numa das muitas reuniões ou congressos de bombeiros, para discutirem as preocupações e aspirações do sector, onde teriam participado em nome das suas associações.  
Na Régua, o Comandante Cardoso (1959-1990) fazia questão em participar nos debates que iam acontecendo pelo país sobre os desafios que os bombeiros voluntários, no final do 60, tinham pela frente, como a definição de regras ordenamento da sua actividade e a afirmação do associativismo no seio da sociedade de que emerge.  
Em 1968, os bombeiros voluntários da Régua participaram no congresso que teve lugar na cidade de Lisboa. A direcção da Associação, presidida pelo Eng. Abel Osório de Almeida (1966-67) e o Comandante Cardoso mandaram fazer um imprimir um folheto que, com uma mensagem de saudação, ofereceram a “todos os camaradas portugueses como nós neste XVIII Congresso Nacional, e fazem votos por que os seus anseios e as suas pretensões venham a ser estudadas para bem da causa que servirmos, o mesmo que dizer para bem de Portugal”, aproveitando para divulgar a Associação e promover o Douro e o seu “ Vinho do Porto - Orgulho de Portugal”.
Para a história dos bombeiros da Régua, a carta do Comandante Tenente França de Sousa é um precioso testemunho. Dá a conhecer a importância da Associação, reconhecida pelo seu progresso e crescente prestígio, presta uma homenagem ao seu valoroso Corpo de Bombeiros da Régua da década de 60 e faz um enaltecimento da figura do seu Comandante Cardoso, conhecido por viver os problemas da sua corporação como se fossem parte integrante da sua vida.  
Esta carta é também, como exprimia o director do jornal “Vida por Vida”, mais uma prova para demonstrar que “nesta cruzada de Coragem, Abnegação e Humanidade, também há ainda lugar para radicar e vincar amizades entre todos aqueles que sabe viver e compreender a missão a que devotamente nos entregamos”.
Apesar das distâncias que separam as duas corporações, os bombeiros comungam não deixam de comungar os mesmos ideais, a partilha de valores fraternos e um espírito de solidariedade nas suas causas  e na sua missão de fazer o bem. 
As palavras de gratidão do Comandante Tenente França de Sousa, servidor leal e competente, que deixou vivas marcas indeléveis nos Bombeiros Voluntários Lisboneses e na sua prestigiada Associação, este ano a comemorar o seu centenário, podem servir de motivo para aproximar as duas instituições, cheias de glorioso passado, numa união de vontades e conhecimentos dos desafios exigidos voluntariado do séc. XXI.   
Não queremos deixar esquecida a carta do Comandante Tenente França de Sousa que, pela sua importância história pessoal e colectiva, deve ser relida com a devida atenção, pelo que a melhor homenagem lhe prestamos,  agradecendo o seu nobre gesto, é de aqui deixar na íntegra a sua transcrição:
 

“Exmo Senhor
Director do Jornal “Vida por Vida” 
Apresentando os meus mais sinceros cumprimentos a V. Exª, venho gostosamente saldar uma dupla dívida, que desde alguns meses tinha para convosco.
A primeira, de agradecer o envio mensal do vosso jornal "Vida por Vida" para esta Corporação da Capital, que dista algumas centenas de quilómetros da vossa, atitude que sinceramente, tanto a mim, como aos 80 homens do meu Corpo Activo bem funda ficou gravada nos nossos corações e, que embora com o pouco contacto que tem existido entre estas duas corporações, me permite afirmar que é a única compreensível entre Soldados da Paz!
A outra dívida que tinha para convosco, é de agora lhe confessar quanto me satisfaz e aprecio verificar através do vosso jornal, como a Vossa Associação está em progresso e grande prestígio que ela tem dentro dos meios ligados à causa do Voluntariado, situação atingida mercê da acção dinâmica dos seus Corpos Gerentes e da muita dedicação dos seus valorosos elementos do Corpo Activo bem comandados por um comando que vive os seus problemas da sua Corporação, fazendo dela parte integrante da sua vida.
Para a briosa corporação nortenha do Peso da Régua, vai o meu apreço e abraço amigo dos vossos camaradas “Lisbonenses”, na certeza, que embora distantes, aqui sentiremos igualmente as vossas horas más que possam surgir, regozijaremos como os vossos momentos de esplendor, com as vossas alegrias, saudando pelo vosso progresso! 
Com os meus melhores cumprimentos, sou de V. Exª”. 

Hoje quando relemos esta carta sentimos orgulho no passado construído por esses notáveis homens que legaram para o futuro esse seu espírito de fazer cada vez mais e melhor para o engrandecimento e prestígio da Associação e dos seus bombeiros, inspirados nos ideais e valores consagrados pelo primeiro dos fundadores, o brioso Comandante Manuel Maria de Magalhães (1880-1892). 

José Alfredo Almeida

Foto 1- Cerimónia  no Quartel dos B.V.Lisbonenses, em 1969 com o Comandante.França de Sousa,na altura oficial da GNR a passar revista, à guarda de honra prestada pelos BVL,na rua Camilo Castelo Branco, com o então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, General França Borges- Foto do arquivo Fotog. da CML
Foto2 .O Comandante França de Sousa  retirada do jornal "Bombeiros de Portugal" nº257 de Fevereiro de 2008

*Nota-O Comandante França de Sousa,assumiu o Comando da A.H dos B.V.Lisbonenses em 1963





quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um texto dos Bombeiros Voluntários da Régua

 Publicamos hoje um interessante texto sobre a construção do quartel dos Bombeiros da Régua, publicado no "Arquivo dos Bombeiros Voluntários da Régua", este mês, e que amávelmente o  Presidente da A.H.B.V. da Régua, José Alfredo Almeida  nos enviou:

"O autor do texto ao falar da história da construção do nosso quartel
faz já uma referência a alguém dos "maiores" dos maiores dos lisbonenses  que acharia que o nosso quartel seria muito...


Não errou....até porque o empreiteiro faliu e não acabou a obra, mas o quartel ergue-se e aí está como um dos mais belos do país,

Mas esta coincidência entre BV da Régua e os Lisbonenses prova  a existência de uma relação muito antiga entre as duas corporações de bombeiros."
José Alfredo Almeida
Presidente da A.H.B.V. da Régua

Texto integral-Aqui





domingo, 7 de novembro de 2010

Memórias Históricas dos Bombeiros Portugueses

Publicamos hoje um interessante trabalho da autoria de José Alfredo Almeida, Presidente da AHBV da Régua, sobre a influência  e controle politico que o antigo regime através da Legião Portuguesa  tinha na Defesa Civil do Território.
Neste trabalho - existe uma referência importante a Frederico Pereira Jardim , Presidente da Assembleia Geral  dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, que criticava em 1956, em artigo de opinião os que colocavam em causa a independência  da Defesa Civil do Território (DCT), da  Legião Portuguesa e da  sua  actividade politica em defesa do então “Estado Novo”.

Os Bombeiros e a Legião Portuguesa
Durante o Estado Novo, a Defesa Civil do Território (DCT), foi a estrutura responsável pela protecção civil nacional até ao 25 de Abril de 1974, que tinha como missão principal de “assegurar o regular funcionamento, em tempo de guerra ou de grave emergência, das actividades do país”.
No decorrer da Segunda Guerra Mundial, em Abril de 1942, perante a possibilidade de uma invasão alemã, o governo de Salazar decidiu criar uma organização de Defesa Civil do Território (DCT), na dependência do Ministério da Defesa Nacional. A sua coordenação era atribuída à Legião Portuguesa. A partir do fim da Segunda Guerra Mundial e com a entrada de Portugal na OTAN, passou a ministrar cursos básicos de socorrismo e a preparar a população para a defesa civil, no caso de eventuais ataques nucleares.
A DCT era uma organização que possuía alguns veículos, equipamentos e pessoal treinado, sobretudo militares, mas que nunca teve como objectivo se substituir aos corpos de bombeiros, a única estrutura de protecção civil, organizada para intervir em qualquer situação de catástrofe natural ou tecnológica. Contudo, a DCT para realizar essa campanha de divulgação da defesa civil das populações pelo país, a Legião Portuguesa precisou da mobilização dos corpos de bombeiros.

BVREguaNew Image
Legenda-Alfredo Baptista , ao centro no carro á civil  que foi um dos instrutores do Cb do DCT1

A partir dos anos 50, os bombeiros da Régua mantiveram contactos permanentes com a DCT-LP, nomeadamente em acções de formação, apesar de serem pouco conhecidos e até revelados os seus contornos, o que tem deixado na penumbra muitos factos e situações interessantes da vida e da história da Associação. Se bem que os documentos existam em arquivo, até à presente data, não foram divulgados e referenciados os pormenores mais significativos, nem as pessoas que estavam alistadas, simultaneamente, na Legião Portuguesa e no corpo de bombeiros, para se evitarem interpretações erróneas de comportamentos cívicos de cidadão exemplares e de não se fazerem apressadas conotações à política ditatorial do Estado Novo.

BVRegua2
 Legenda: Coronel Morais Junior o Inspector do Norte

O relacionamento da DCT-LP com os corpos de bombeiros não foi muito pacífica por razões de vária ordem, apesar de não existirem estudos divulgados que possam sustentar esta afirmação. Apenas se sabe que um sector dos bombeiros não gostou que as questões da protecção civil e socorro -  objectivo da  defesa civil -  fossem dirigidas por uma organização de carácter paramilitar, com fins de propaganda politica, que  controlava a vida privada dos cidadãos,  como era a Legião Portuguesa. Com os seus ideais de “defesa do património da nação contra os inimigos da Pátria e da Ordem”, a Legião Portuguesa manteve uma tensão no relacionamento com os corpos de bombeiros. Alguns conflitos devem-se às condutas dos chefes da milícia, onde marcavam presença os caciques locais, mais preocupado em manter o poder à força do que em zelar pelos interesses gerais da comunidade. No destacamento da Régua, eram frequentes os desmandos de um legionário
conhecido pela alcunha de “Chefe Quina” – pessoal menor da estrutura local -  que gostava de afirmar autoridade, sem ter  respeito pelas pessoas.
Quem abordou essa questão foi Frederico Pereira Jardim, presidente da Assembleia-geral dos Bombeiros Lisbonenses. Este dirigente publicou no jornal “Vida por Vida”, de Agosto de 1956, um artigo de opinião para defender a isenção e o carácter apolítico da DCT, nestes termos: “O facto de estarem esses serviços superiormente entregues à Legião Portuguesa tem, de algum modo, diminuído o interesse de várias Corporações ou dos seus componentes nos Cursos Básicos da DCT ou pelo espírito de colaboração na Organização. Uns por maldade, outros por ignorância não deixam de fazer uma campanha contrária, pretendendo insinuar que o ingresso nos serviços da DCT implica automaticamente nas actividades políticas ou de milícia da Legião Portuguesa. Isto demonstra, portanto, que na DCT não há o menor intuito de seguir qualquer politica”. Convencido que havia vantagens na adesão, incentivava os bombeiros a colaborarem com servilismo: “Por outro lado, devem todas as Corporações de Bombeiros Voluntários atentar nas vantagens de colaborarem, dedicada e intensamente, nos trabalhos da DCT para, em justa retribuição fazerem jus aos benefícios, importantíssimos, que podem vir a receber”.
Não desconhecendo os condicionalismos políticos da época, os responsáveis da Liga dos Bombeiros Portugueses, no seu Boletim de 1954, garantiam a colaboração dos bombeiros à DCT e ao Governo da Nação “que podem contar, incondicionalmente, com a bravura e dedicação de 13.000 bombeiros voluntários portugueses”. Nesse Boletim, o tenente A. Norte da Silva, do comando da DCT, escrevia “algumas sugestões”, a aconselhar que “as Corporações de Voluntários criem “Cadetes, jovens de 15 anos que vão andando pelos quartéis e que, poucos anos depois, são competentes e valorosos Bombeiros É preciso que as Corporações de Voluntários, à semelhança do que se fez noutros países, criem o seu Serviço Auxiliar Feminino, constituído por senhoras que prestem valiosos serviços nos telefones, nas radiocomunicações, enfermagem, socorros, auxílio social e serviços de apoio aos seus bombeiros”.
BVReguaFoto78-3LP-

Seguindo a orientação da Confederação, os bombeiros da Régua não só colaboraram com a D.C.T.-L.P. como se mostraram disponíveis para lhes ceder uma dependência do seu quartel, para instalarem a sede dos serviços concelhios da organização. Em troca pediam que a Legião Portuguesa os fornecesse de material logístico e de treino, como as máscaras anti-gaz, fatos de amianto, macas, bolsas com material de enfermagem e uma barraca de hospital. Como não possuíam ainda nenhum tipo de máscaras anti-gaz, pensavam que iam resolver esta carência. Mas, os bombeiros eram avisados de que “quanto à sua utilidade, é de fazer notar que a máscara utilizada pelos nossos serviços, se destina a actuação em tempo de guerra, pelo que se indica, no mapa seguinte, qual o seu comportamento, em face dos gazes e fumos acidentais, mais prováveis em tempo de paz”.
Em 5 de Julho de 1954, o comando dos bombeiros da Régua promovia uma acção com a DCT, ao realizar um “Curso Básico de Defesa Civil”, destinado aos bombeiros e representantes da sociedade civil. O Comandante Lourenço Medeiros cumpria uma recomendação emanada do Conselho Nacional do Serviço de Incêndios. Numa carta circular, o Inspector do Norte, Coronel Serafim Morais Júnior comunicava que “havendo conveniência em difundir, tanto quanto possível, conhecimentos úteis sobre D.C.T, que interessando, de um modo geral, a toda a população, não podem deixar de interessar, em especial aos Corpos de Bombeiros, que, na DCT têm o seu papel definido, dentro das funções que normalmente lhe competem (sem perderem, porém, a subordinação aos regulamentos a que estão sujeitos, e ao C.N.S.I., através das Inspecções de Zona) ”. O curso estava definido com as seguintes disciplinas: a guerra atómica, biológica e química, os projécteis explosivos e a luta contra o fogo. Cada uma dela podia ser estudada num Manual de Defesa Civil, editado pela Legião Portuguesa. As matérias foram leccionadas pelo Comandante Lourenço Medeiros, os graduados Claudino Clemente, Gastão Mirandela, António Guedes Castelo Branco, os directores Alfredo Baptista, o médico Rui Machado e o jovem Carlos Cardoso.
Em 1960, o Comando Distrital de Vila Real da Legião Portuguesa promovia a realização de um “Curso de Primeiros Socorros”, destinada aos bombeiros da Régua. Pela que está documentado na Ordem de Serviço nº 18 de 31 de Julho de 1960, emanada do Quartel daquela instituição, onde constam os nomes dos bombeiros inscritos e a sua classificação, verifica-se que houve uma boa adesão. Os cidadãos que se alistaram como “Agentes” na DCT e alguns que já eram “Legionários” -  pessoas conhecidas na sociedade reguense – que também faziam parte do corpo de bombeiros, foram obrigados a frequentar  o curso.
Nessa época, o Comandante Cardoso admitia que a formação de defesa civil orientada pela Legião Portuguesa não era novidade. Estava a ser ministrada pelas corporações onde havia médicos, pelo que os bombeiros possuíam uma preparação eficiente no capítulo do socorro. O jovem comandante sabia do que falava, mas não acreditava que tais acções, apesar da sua importância, adiantassem para mudar a qualidade da instrução dos seus bombeiros.
Assim, pode concluir-se que, desta maneira, a Legião Portuguesa ramificou os tentáculos do seu poder pelos corpos de bombeiros. Em alguns deles, colocava as pessoas da sua confiança à frente do comando e dos órgãos sociais, para que cumprissem, sem críticas e sem reivindicações, as orientações do regime político, respeitando os lemas nacionalistas de Salazar, como este: “Todos não somos demais para continuar Portugal”, por muitos mais anos, até ao dia 25 de Abril de 1974, data em surgia um autêntico Serviço Nacional de Protecção Civil.

José Alfredo Almeida
Presidente da AHBV da Régua
(Sublinhados no texto do editor do blogue )

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Memória do grande Incêndio no Teatro D.Maria II em 2 de Dezembro de 1964

MEMÓRIAS
Participações de serviço dos arquivos dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses:
"2 de Dezembro -Grande incêndio no Teatro D.Maria II.Compareceu a totalidade do material e pessoal disponiveis.Foram utilizados todos os lances  de mangueira de 50 e 70mm existentes nas viaturas e no quartel."
Livro do Centenário

Em 2 de Dezembro de 1964 o Teatro Nacional foi “palco” de um brutal incêndio que apenas poupou as paredes exteriores. O edifício que hoje conhecemos, e que respeita o original estilo neoclássico, foi totalmente reconstruído e só em 1978 reabriu as suas portas.

Como se vê, mais uma vez pelo teor do  interessante oficío que publicamos, gentilmente cedido pelo Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros  Voluntários da Régua, José Alfredo Almeida, os BVL e os BV da Régua sempre mantiveram relações de cordialidade.
Transcrevemos parte do texto que acompanhou o oficío que nos foi enviado:
"Este ofício datado de 1964,  da  Direcção Lisbonense prova bem essa fraternal ligação  em que os da Régua mostram cuidados pelo estado de saúde de bombeiros feridos no incêndio do Teatro Nacional:.. na noite de 2 para 3 de Dezembro de 1964."



Foto de Armando Serôdio do Arquivo Fotg. da CML

Foto de Garcia Nunes do Arquivo Fotog.da CML

Foto de Garcia Nunes do Arquivo Fotg. da CML
Foto de Armando Serôdio do Arquivo Fotog.da CML

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dos Bombeiros

No dia 26 de Maio em Fátima,  o Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua,Dr. José Alfredo Almeida, irá receber a menção honrosa de dirigente do ano dos Bombeiros Voluntários Portugueses. Este blogue tem o prazer de o contar desde início como  colaborador de vários posts publicados.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Memórias dos Bombeiros Voluntários da Régua


O Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, e Presidente da Federação de Bombeiros de Vila Real ,José Alfredo Almeida, colaborador frequente deste blogue -apresentou o seu livro "Memórias dos Bombeiros Voluntários da Régua", durante o 41º Congresso da Liga de Bombeiros Portugueses que ocorreu este ano na Régua.




Fotos  do jornal  "Bombeiros de Portugal" de Novembro

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Incêndio no Teatro Nacional D.Maria II em 1964

MEMÓRIAS
Participações de serviço dos arquivos dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses:
"2 de Dezembro -Grande incêndio no Teatro D.Maria II.Compareceu a totalidade do material e pessoal disponiveis.Foram utilizados todos os lances  de mangueira de 50 e 70mm existentes nas viaturas e no quartel."
Livro do Centenário

Em 1 de Dezembro de 1964 o Teatro Nacional foi “palco” de um brutal incêndio que apenas poupou as paredes exteriores. O edifício que hoje conhecemos, e que respeita o original estilo neoclássico, foi totalmente reconstruído e só em 1978 reabriu as suas portas.

Como se vê, mais uma vez pelo teor do  interessante oficío que publicamos, gentilmente cedido pelo Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros  Voluntários da Régua, José Alfredo Almeida, os BVL e os BV da Régua sempre mantiveram relações de cordialidade.
Transcrevemos parte do texto que acompanhou o oficío que nos foi enviado:
"Este ofício datado de 1964,  da  Direcção Lisbonense prova bem essa fraternal ligação  em que os da Régua mostram cuidados pelo estado de saúde de bombeiros feridos no incêndio do Teatro Nacional:.. na noite de 2 para 3 de Dezembro de 1964."



Foto de Armando Serôdio do Arquivo Fotg. da CML

Foto de Garcia Nunes do Arquivo Fotog.da CML

Foto de Garcia Nunes do Arquivo Fotg. da CML
Foto de Armando Serôdio do Arquivo Fotog.da CML

terça-feira, 29 de junho de 2010

O 24º Congresso de Bombeiros - Peso da Régua 1980 (II)

Os pormenores mais significativos da visita presidencial foram destacados na revista comemorativa, na crónica “Recordando a visita do Presidente da República General Ramalho Eanes”, assinada pelo saudoso jornalista Jaime Ferraz (foi um grande director do jornal reguense “Noticias do Douro”), que temos a honra de o lembrar:

“Quando o Congresso dos Bombeiros realizados nesta vila, de 10 a 14 de Setembro, tivemos a honra da presença do Primeiro Magistrado da Nação, General Ramalho Eanes que, além de presidir à sessão solene que todos devem estar recordados se realizou no Cine -Teatro Avenida no dia 14-9-80 bem como as outras solenidades, assistiu ao cortejo das corporações, numa tribuna, para o efeito erigida junto ao edifício da Casa dos Douro.

O Presidente da República, além da respectiva comitiva, fez-se acompanhar da sua esposa e sua presença no referido congresso foi umas das principais notas que se podem recordar e enaltecer.

Os bombeiros voluntários da Régua fizeram a respectiva guarda de honra com todo o seu corpo activo formado junto do Quartel, tendo depois o Presidente da República passado revista à Corporação, e felicitado o respectivo Comandante Carlos Cardoso dos Santos, pela forma como soube apresentar-se e que constituiu um dos pontos fulcrais da visita presidencial”.

Fotos e texto  do 24º Congresso dos Bombeiros Portugueses,cedidos  gentilmente por José Alfredo Almeida, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Peso da Régua.

domingo, 27 de junho de 2010

O 24º Congresso dos Bombeiros Portugueses - Peso da Régua 1980

Com a realização do Congresso, a Associação e os bombeiros da Régua ganharam notoriedade e reconhecimento no país. Cumprindo e respeitando o espírito dos fundadores, afirmava-se neste momento como pioneira, activa e orgulhosa de um passado cheio de história e de um futuro cheio de ambição, ao comemorar nesse ano o aniversário dos seus 100.º anos de existência.

Os bombeiros portugueses fizeram uma festa na cidade da Régua que ganhou colorido, um movimento anormal e mais animação turística, num tempo em que escasseavam os hotéis, os residenciais e até os restaurantes para receber tantas pessoas. Conhecendo bem algumas das dificuldades da logística, o Presidente da Câmara, o socialista Renato Aguiar, desde o primeiro instante, apoiou e acarinhou com todos os meios possíveis a iniciativa para que o maior número de participantes ficasse pela cidade. Como a capacidade de alojamento era insuficiente o Regimento de Infantaria do Porto emprestou colchões pneumáticos e cobertores para as dormidas.


A apresentação da guarda de honra do corpo activo pelo Comandante Carlos Cardoso dos Santos ao Presidente da Republica General, Ramalho Eanes que, no dia 14 de Setembro de 1980, presidiu à cerimónia da sessão solene do 24.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, realizado no Peso da Régua.

Fotos e texto  do 24º Congresso dos Bombeiros Portugueses,cedidos  gentilmente por José Alfredo Almeida, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Peso da Régua.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O 50º Aniversário dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses

Com colaboração prestimosa do Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Régua, José Alfredo Almeida, publicamos hoje um texto sobre o 50º Aniversário dos B.V.Lisbonenses, publicado no Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses, nº194, de Nov-Dez de 1960.


terça-feira, 6 de abril de 2010

A fundação da Associação H. dos B.V. Lisbonenses

Por gentileza de José Alfredo Almeida Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros da Régua, publicamos hoje a 1ª parte de um trabalho sobre a fundação dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses da autoria do Comandante Amadeu César da Silva, publicado  no Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses, nº192 de Julho-Agosto de 1960.



"Embora  ainda não houvesse sido revogado o diploma que em 1901, criara a Divisão Auxiliar de Bombeiros Voluntários, as suas disposições eram já letra morta.Foi, por isso, sancionada pela instâncias oficiais a criação de mais uma corporação de  voluntários, com a fundação em 12 de Dezembro de 1910, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, originada por uma cisão havida nos voluntários de Lisboa, da qual sairam os fundadores daquela, que foram : Eduardo Augusto Macieira, que assumiu o cargo de comandante do Corpo Activo; Carlos Vasques, o grande benemérito que orientou a nova associação, durante muitos anos; Guilherme saraiva Maia, Alexandre Augusto Ramos Certã, João António da Silva, Carlos Eugénio Belling Dias, Rui de Macedo, John B. Jauncey, Henrique de Melo Lorena, Manuel António Iniguez, Carlos Bastos, Pereira da Costa, Diogo da Encarnação Carvalho e Fernando Cardoso Botto."                                                                                    

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Memórias históricas dos Bombeiros Voluntários da Régua

Desde o início deste blogue, Sobre os Bombeiros Voluntários Lisbonenses, temos mantido um interessante contacto com o Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Régua, José Alfredo Almeida, que nos tem permitido publicar documentos, e textos de grande interesse histórico sobre aspectos da  longa actividade  daquela corporação.

Hoje, publicamos uma foto de 1916, na recepção ao então Ministro do Fomento Dr.Fernandes Costa, nas instalações da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Régua. Uma página do orçamento de 1882 daquela corporação, e um convite dos Bombeiros Voluntários da Ajuda, para a sessão solene comemorativa do cinquentenário daquela lisboeta Associação de Bombeiros Voluntários, em 10 de Abril de 1930.


Publicada, na Ilustração Portuguesa nº541 de 3 de Julho de 1916




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Carta do B.V.Lisbonenses para os Bombeiros de Peso da Régua

 
O presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários da Régua,  José Alfredo Almeida, amávelmente fez-nos chegar  um texto de uma carta, que o Comandante  França de Sousa dos B.V.Lisbonenses dirigiu aos Bombeiros Voluntários da Régua,  publicada no jornal "Vida por Vida".em  Janeiro de 1966.-Aqui