quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nota sobre o Blogue não oficial do centenário dos Bombeiros Voluntários Lisbonense

 Os posts aqui publicados, não seguem em determinados casos a ordem cronológica dos acontecimentos, no caso de acontecimentos de carácter histórico,  terão o subtítulo de "Memórias", permitindo assim a  continuação da publicação de assuntos que fazem parte da história do Bombeiros Voluntários Lisbonenses, mesmo que o assunto seja anterior às datas das últimas publicações.

O incêndio do Chiado em 1988

A 25 de Agosto de 1988, as chamas destruíram uma parte importante do centro histórico de Lisboa. Hoje fica aqui um testemunho dessa tragédia, com  uma grande foto do Diário de Notícias, cuja legenda presta uma justa  homenagem aos "heróis anónimos" que o combateram.

 Exaustos por horas ininterruptas de tensão,na primeira linha de combate ao sinistro os bombeiros foram de facto, os herois anónimos do dia de ontem - DN de 26 de Agosto de 1988


 Um testemunho de um jornalista da Rádio Renascença encontrado aqui

"Fui o primeiro jornalista a entrar em directo do local neste noticiário, tendo até relatado a chegada dos Bombeiros Lisbonenses que, como se sabe, foram os que iniciaram o combate as chamas.
Dada a localização geográfica dos estúdios da Rua Capelo, a Rádio Renascença tornou-se o único órgão de comunicação social com capacidade técnica para entrar por walkie talkie para todo o país em directo dos vários pontos de reportagem e, acima de tudo, de relatar de forma concisa e esclarecedora a progressão das chamas, dando a morada, número de porta e andar das estruturas afectadas, de forma a tentar esclarecer quem estava fora da capital e que se preocupava com o que se passava no Chiado."
Alexandre  Ipolliti Carrelhas 

Actualização - 11-02-2010

Incêndio na Rua Nova do Almada 
 
Quatro horas após  a publicação do post como memória do incêndio do Chiado de 1988,por uma infeliz coincidência,  deflagrava na rua Nova de Almada em pleno Chiado um incêndio num prédio de 5 pisos.

O incêndio neste momento de causas desconhecidas começou numa residência do último andar e pela rapidez da intervenção dos Sapadores Bombeiros não alastrou ao resto do edifício, nem aos edifícios vizinhos. Há a lamentar a morte de uma moradora.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Presidente da República na Comissão do Centenário

O Presidente da República aceitou integrar a Comissão de Honra do primeiro centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, cuja efeméride decorre em 2010.
Da comissão fazem também parte o primeiro-ministro, o ministro da Administração Interna, o secretário de Estado da Protecção Civil, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Lisboa, entre outras figuras.
O programa comemorativo do centenário foi  divulgado na conferência de imprensa do  dia 21 de Janeiro, que decorreu na sede da associação.

De uma notícia dos "Bombeiros de Portugal"

A ambulância dos B.V.Lisbonenses que foi para Ponta Delgada

Em 1959 "uma ambulância Mercedes Benz foi comprada à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses em 26 de Setembro".

Nos "Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada Subsídio para a sua história XIX" no Jornal Açoriano Oriental

A arte do bailado nos B.V.Lisbonenses

Rui Horta, arquitecto, coreógrafo e bailarino

Os seis anos entre 1984 e 1990, são caracterizados por uma grande vontade de passar conhecimento  de tudo  o que tinha aprendido em Nova Iorque a todas as pesssoas que queriam dançar, "formei montes de gente e toquei uma geração inteira". Nessa altura tinha um estúdio nos Bombeiros Lisbonenses. Este estúdio foi um ponto de encontro de freelancers, livre para toda a gente. Era o meu estúdio de dança. Toda a gente tinha a chave. Muita gente ensaiava". Nomes como João Fiadeiro e Clara Andermatt passaram por lá, "às dez da noite iam para o estúdio e ensaiavam até à uma, duas da manhã.Porque era de todos."

*Texto e foto encontrado aqui

A ambulância Citroen HY dos B.Voluntários Lisbonenses

 Fonte:Arquivo fot. da CML

Legenda: Veículo da Cruz Vermelha presta auxílio com alimentos e vacinas às vitímas da inundações na zona de Odivelas em 1967-11-26. 

Esta não era da Cruz Vermelha, era dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses  como se pode ver na  inscrição da parte arredondada do avançado.
Foto e texto encontrado -Aqui

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Carta para os Bombeiros Voluntários da Régua

O presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários da Régua,  José Alfredo Almeida, amávelmente fez-nos chegar  um texto de uma carta, que o Comandante  França de Sousa dos B.V.Lisbonenses dirigiu aos Bombeiros Voluntários da Régua,  publicada no jornal "Vida por Vida".em  Janeiro de 1966.


 José Alfredo Almeida  fez o favor de nos enviar o seguinte texto:


Ao vasculharmos os arquivos da nossa Associação não nos passou despercebida uma carta enviada pelo Comandante Tenente José Francisco França de Sousa, dos Bombeiros Voluntários Lisboneses, em 1966, ao director do jornal “Vida por Vida”, órgão oficial da AHBV do Peso da Régua.
Como, quando lhe chegou às mãos, essa carta não passou também despercebida ao Dr. Camilo de Araújo Correia, a quem fora amavelmente dirigida, que lhe reconheceu valor e interesse histórico para a divulgar nas colunas da primeira página do jornal. 
Na edição de Janeiro de 1966, com o sugestivo título “Bombeiros Voluntários Lisbonenses” é feita a transcrição integral dessa carta. E, numa pequena nota introdutória, muito pessoal e ao seu jeito e estilo, o director - ilustre médico e escritora infelizmente já falecido - lembrou que, pela satisfação que a tinha recebido, não resistia a tentação – assim mesmo – de a publicar.  
Os bombeiros da Régua são pioneiros a estabelecer relações institucionais com as associações congéneres. Faz parte dos genes da sua fundação. Entenderam desde os seus primórdios, que se tornava necessário conhecer o que se fazia de mais avançado nas associações mais preparadas e capazes e para conhecerem as novidades no combate aos fogos e no socorro às populações.
O jornal dos bombeiros da Régua, fundado em 1957, serviu de ligação a todos os bombeiros espalhados pelo país. Serviu para mostrar o exemplo que uma geração de homens lutava com paixão para manter, com a ajuda de beneméritos – os primeiros mecenas - vivo o associativismo e corpos de bombeiros mais preparados para as exigências do socorro às suas populações. 
Se, no passado recente, existiram contactos dos Bombeiros da Régua com os Bombeiros Voluntários Lisbonenses, o mais certo é terem acontecido em encontros entre os seus directores e seus comandantes. Leva a crer que os comandantes se terão conhecido numa das muitas reuniões ou congressos de bombeiros, para discutirem as preocupações e aspirações do sector, onde teriam participado em nome das suas associações.  
Na Régua, o Comandante Cardoso (1959-1990) fazia questão em participar nos debates que iam acontecendo pelo país sobre os desafios que os bombeiros voluntários, no final do 60, tinham pela frente, como a definição de regras ordenamento da sua actividade e a afirmação do associativismo no seio da sociedade de que emerge.  
Em 1968, os bombeiros voluntários da Régua participaram no congresso que teve lugar na cidade de Lisboa. A direcção da Associação, presidida pelo Eng. Abel Osório de Almeida (1966-67) e o Comandante Cardoso mandaram fazer um imprimir um folheto que, com uma mensagem de saudação, ofereceram a “todos os camaradas portugueses como nós neste XVIII Congresso Nacional, e fazem votos por que os seus anseios e as suas pretensões venham a ser estudadas para bem da causa que servirmos, o mesmo que dizer para bem de Portugal”, aproveitando para divulgar a Associação e promover o Douro e o seu “ Vinho do Porto - Orgulho de Portugal”.
Para a história dos bombeiros da Régua, a carta do Comandante Tenente França de Sousa é um precioso testemunho. Dá a conhecer a importância da Associação, reconhecida pelo seu progresso e crescente prestígio, presta uma homenagem ao seu valoroso Corpo de Bombeiros da Régua da década de 60 e faz um enaltecimento da figura do seu Comandante Cardoso, conhecido por viver os problemas da sua corporação como se fossem parte integrante da sua vida.  
Esta carta é também, como exprimia o director do jornal “Vida por Vida”, mais uma prova para demonstrar que “nesta cruzada de Coragem, Abnegação e Humanidade, também há ainda lugar para radicar e vincar amizades entre todos aqueles que sabe viver e compreender a missão a que devotamente nos entregamos”.
Apesar das distâncias que separam as duas corporações, os bombeiros comungam não deixam de comungar os mesmos ideais, a partilha de valores fraternos e um espírito de solidariedade nas suas causas  e na sua missão de fazer o bem. 
As palavras de gratidão do Comandante Tenente França de Sousa, servidor leal e competente, que deixou vivas marcas indeléveis nos Bombeiros Voluntários Lisboneses e na sua prestigiada Associação, este ano a comemorar o seu centenário, podem servir de motivo para aproximar as duas instituições, cheias de glorioso passado, numa união de vontades e conhecimentos dos desafios exigidos voluntariado do séc. XXI.   
Não queremos deixar esquecida a carta do Comandante Tenente França de Sousa que, pela sua importância história pessoal e colectiva, deve ser relida com a devida atenção, pelo que a melhor homenagem lhe prestamos,  agradecendo o seu nobre gesto, é de aqui deixar na íntegra a sua transcrição:
 

“Exmo Senhor
Director do Jornal “Vida por Vida” 
Apresentando os meus mais sinceros cumprimentos a V. Exª, venho gostosamente saldar uma dupla dívida, que desde alguns meses tinha para convosco.
A primeira, de agradecer o envio mensal do vosso jornal "Vida por Vida" para esta Corporação da Capital, que dista algumas centenas de quilómetros da vossa, atitude que sinceramente, tanto a mim, como aos 80 homens do meu Corpo Activo bem funda ficou gravada nos nossos corações e, que embora com o pouco contacto que tem existido entre estas duas corporações, me permite afirmar que é a única compreensível entre Soldados da Paz!
A outra dívida que tinha para convosco, é de agora lhe confessar quanto me satisfaz e aprecio verificar através do vosso jornal, como a Vossa Associação está em progresso e grande prestígio que ela tem dentro dos meios ligados à causa do Voluntariado, situação atingida mercê da acção dinâmica dos seus Corpos Gerentes e da muita dedicação dos seus valorosos elementos do Corpo Activo bem comandados por um comando que vive os seus problemas da sua Corporação, fazendo dela parte integrante da sua vida.
Para a briosa corporação nortenha do Peso da Régua, vai o meu apreço e abraço amigo dos vossos camaradas “Lisbonenses”, na certeza, que embora distantes, aqui sentiremos igualmente as vossas horas más que possam surgir, regozijaremos como os vossos momentos de esplendor, com as vossas alegrias, saudando pelo vosso progresso! 
Com os meus melhores cumprimentos, sou de V. Exª”. 

Hoje quando relemos esta carta sentimos orgulho no passado construído por esses notáveis homens que legaram para o futuro esse seu espírito de fazer cada vez mais e melhor para o engrandecimento e prestígio da Associação e dos seus bombeiros, inspirados nos ideais e valores consagrados pelo primeiro dos fundadores, o brioso Comandante Manuel Maria de Magalhães (1880-1892). 

José Alfredo Almeida

Foto 1- Cerimónia  no Quartel dos B.V.Lisbonenses, em 1969 com o Comandante.França de Sousa,na altura oficial da GNR a passar revista, à guarda de honra prestada pelos BVL,na rua Camilo Castelo Branco, com o então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, General França Borges- Foto do arquivo Fotog. da CML
Foto2 .O Comandante França de Sousa  retirada do jornal "Bombeiros de Portugal" nº257 de Fevereiro de 2008

*Nota-O Comandante França de Sousa,assumiu o Comando da A.H dos B.V.Lisbonenses em 1963